sexta-feira, 30 de setembro de 2011

1ª Mostra de Dança se destaca pela organização e profissionalismo dos bailarinos
Homens e Mulheres se estreitam entre sapatos e figurinos. Ao mesmo tempo, relembram minuciosos detalhes dos movimentos que logo irão exigir da alma a posição perfeita para atenuar as curvas corporais frente às luzes do palco. Esse era o clima nos basti­dores da 1ª Mostra de Dança da Academia Eliane Indiani.

Dançar é prazeroso, mas os frutos deste tra­balho são colhidos com muita dedicação de mui­ta dedicação. O resultado desse compromisso pode ser contemplado Mostra, realizada no dia 15 de julho, em Pindamonhangaba, onde bailari­nos da região exibiram seus talentos.

Alunos, coordenadores, diretores se reve­zaram durante dois meses, de planejamento e ensaios, para uma apresentação ímpar marcada pelo profissionalismo. Distribuídos em 12 core­ografias, dançarinos da Academia Eliane Indiani e do Estúdio de Ballet Rose Mary demostraram o porquê acreditam na arte como manifestação cultural e expressão da verdade.

A 1ª Mostra de Dança Elaine Indiani foi re­alizada de forma independente. “Não tivemos patrocínios. O evento foi realizado com o apoio dos alunos e colegas da academia que venderam ingressos e divulgaram o evento”, orgulha-se Jar­del Narezi, coordenador de Dança da academia.

Os frutos estão sendo colhidos. O objetivo da 1ª Mostra de Dança, além proporcionar en­tretenimento e divulgar a dança no vale, teve também a intenção de obter fundos para a par­ticipação da academia no Festival de Dança de Joinville, reconhecido por receber bailarinos na­cionais e internacionais em uma disputada com­petição.Oito noites foram necessárias para que os artistas pudessem mostrar seus talentos no Festival de Joinville.

Erick Gutierrez, representante da academia e Taubaté na competição, utilizou-se apenas de alguns minutos para conseguir a terceira co­locação com o solo de sapateado de nome Hi­pérbole. “Este foi o meu 6º ano consecutivo no Festival de Dança de Joinville. Participar deste evento é sempre uma experiência única, é fan­tástico. Cada vez que participo, adquiro uma vi­são diferente da dança e volto pra casa com uma bagagem de vivências e aprendizado que me faz crescer muito como profissional e pessoa”, con­fessa Erick.

O Coordenador Jardel Narezi destaca a im­portância de participar de festivais em outras cidades “O premio de terceiro lugar foi de extre­ma importância para a equipe. Estamos cada vez mais empolgados em participar de festivais, pois acrescentamos conhecimento e inovamos nos­sos pensamentos em relação às técnicas de dança, trazendo isso para o Vale do Paraíba e para nossas aulas”. O Festival de Joinville completa 29 anos em 2011 e está consolidado na cena nacional de dança pela tradição, profissionalis­mo e pluralidade dos participantes. Durante os dias que acontecem o festival, amantes da dança chegam de todo o país e do exterior. Devido a sua magnitude, o Festival de Dança de Joinville já foi considerado o maior festival de dança do mundo pelo Guinness Book 2005.

A Academia Eliane Indiani ensaia novos pas­sos. A 1ª Mostra de Dança foi a primeira expe­riência segundo Jorge Narezi. “Tradicionalmen­te fazemos um espetáculo grande em Taubaté, mas com as novas experiências e propostas de eventos, queremos realizar mais apresentações durante o ano em outras cidades do Vale do Pa­raíba”.

A Academia Eliane Indiani está com vagas abertas para os cursos de dança e a expectati­va, segundo o coordenador, é expandir a arte de dançar por todo o Vale do Paraíba.

Por Diego Meneses

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A arte de se fazer representar
Artista taubateano que se dedicou ao teatro e ganhou o Brasil levando a arte de representar pelos inúmeros festivais.

Juntando em um só grupo arte-educador, atores, profissionais e produtores culturais, não poderia sair desse apanhado uma companhia com um nome tão sugestivo como a “Compa­nhia do Sol de Taubaté”.

A trupe é comandado pelo ator Alexandre Vilela com mais de 20 anos de insistência na pro­fissão. Vilelas é um dos poucos artistas que faz da arte um modo de vida. Artista taubateano que se dedicou ao teatro na cidade de Pindamonhanga­ba e ganhou o Brasil levando a arte de represen­tar pelos inúmeros festivais de nosso país.

Aos 10 anos de idade, Villa já trabalhava fa­zendo uma participação junto a Turma do Piru­lito, onde vestido de azul interpretava um dos famosos Smurf, dai em diante como o próprio artista disse “A vida seria toda azul”. Em sua tra­jetória, o arte-educador como gosta de ser cha­mado, já soma mais de 30 cursos na área artísti­ca. Com a palavra o Artista Alexandre Villa.

BATE PAPO

[AR.V] Fale tudo que você gostaria de falar em prol da arte em nossa região.
Em primeiro lugar acho utópico a união dos artistas, mas continuo acreditando e lutando por ela. Embora eu seja contra a “esperança” (acho que ela acabou com a América Latina), ela é algo que não consigo abandonar (rs). Mais do que uma união total, eu acredito sim na parceria entre as pessoas que desejem fazer algo de fato pela cultura.

Hoje temos diversos problemas relacionados à cultura como financiamentos, espaços públicos insuficientes, falta de interesse civil e governa­mental, etc... Isso é reflexo de anos de descasos que vem desde o Brasil colônia. Arte e a cultura sempre foram objetos de entretenimento das cortes. Este costume acabou por se perpetuar de diversas outras formas. O fato é que a sociedade não acha a cultura seja um fator preponderante por dois motivos: não há interesse da sociedade civil, pois nossas prioridades estão relacionadas as necessidades básicas de sobrevivência, e não há interesse por parte de nossos governantes, pois um povo sem cultura é mais fácil de mani­pular. Isso é um lugar comum, mas é fato.

Acredita-se, erroneamente, que o problema e a solução para nosso país é a educação. Não é. Assim, durante muito tempo eu acreditei que a solução estava na cultura, pois a educação instrumenta, dá ferramentas para ao individuo para que ele possa viver, mas é a cultura que irá ajudá-lo a dar uso a estas ferramentas.

Hoje eu penso que a solução está no amor. Parece bobo, mas não é. O amor que falo não é este sentimento carregado de romantismo e pieguice, mas um sentimento superior e mais sublime, que nos enlaça enquanto humanidade. Um conceito mais filosófico (que nem leva este nome). Pois se nos amamos enquanto seres hu­manos, nos preocupamos com o outro. A partir disso, diversos problemas são resolvidos: se os governantes amam seu povo, vão fazer de tudo para que tenham uma boa saúde, alimentação decente, etc... Se o cidadão ama seu próximo, ele se engaja para resolver problemas, por que na verdade são problemas dele também. Ai che­gamos de fato em uma questão política, no sen­tido grego de “polis/politiké/politikós”, ou seja, toda a relação que se dá entre os que se convi­vem – coletividade. Hoje um grande ativista nes­se sentido é o Dr. Patch Adams, que defende o amor como matéria obrigatória nas escolas. E se amos o outro, respeitamos seus costumes e suas origens, ou seja, sua cultura.

Outro problema da cultura é justamente o entendimento que se têm da palavra. No sen­so comum, cultura está relacionada à erudição, mas está muito ale disso. Segundo Edward B. Tylor, cultura é “aquele todo complexo que in­clui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e aptidões adquiridos pelo homem como membro da sociedade”. Sem este entendimento qualquer estratégia, qualquer plano, qualquer coisa que se queira fazer pela cultura será ineficiente e paliativo. É preciso que o conceito cultura seja entendido por todos, assim o acesso a ela é fa­cilitado, e mais pessoas terão contato com bens culturais que ainda não tiveram oportunidade. Ai sim, o cidadão pode reivindicar este acesso. Ninguém luta por aquilo que não sente alta, nin­guém sente falta daquilo que nunca teve.

Além destes problemas, há ainda questões de irresponsabilidades, egos, e interesses pesso­ais que permeiam as relações entre os artistas, e também nas esferas governamentais em todas as suas estâncias. Veja bem, não estou generali­zando, há muita gente interessada em um bem comum, tanto na sociedade civil quanto no po­der público. Prova disso é toda a movimentação que têm ocorrido em prol da cultura.

Mas há muitos descasos de ambos os lados. É por estes motivos que deixei de ser um homem de teatro para ser um ativista cultural. Mas ape­sar de todos os problemas, as soluções têm apa­recido e contribuído para a solução de muitos problemas. Nossos próximos passos agora são no senti­do da aprovação da lei que institui o Conselho de Cultura, e da Lei Municipal de Cultura. Quero encerrar aproveitando para fazer um apelo ao prefeito de Taubaté, para que encaminhe estes projetos de Lei para a câmara municipal, pois foi um trabalho árduo feito pelos artistas locais du­rante dois anos, e que agora depende somente da vontade política em nossa cidade.

Por Emilio Millo

quarta-feira, 28 de setembro de 2011


Os novos patrões de hoje
Sem hesitações e com uma boa dose de autoconfiança e ousadia, a geração de hoje estão reinventando o jeito de fazer negócios.

Representantes da chamada geração Y ou geração milênio, como foram batizados os nasci­dos dos anos 80 para cá, sua forma de pensar e agir pode atordoar mas sobretudo surpreender - quem veio ao mundo antes do controle remoto. Impacientes e criativos, imediatistas e versáteis, eles começam a ganhar milhões com os seus projetos e suas parcerias.

Em Taubaté não é diferente, é comum encon­trar jovens com seus próprios negócios. Um bom exemplo disso é a produtora de ví­deo Balaio Filmes encabeçado por André Pires, Mariana Moraes e Alex Rodrigues. Essa galera tá mostrando para que veio. Sem deixar o sonho de lado e se manter no mercado a Balaio Filmes nasceu de um sonho do diretor geral da produtora André Pires.

Pires conta que o ponto forte é fazer da pro­fissão um divertimento, ao mesmo tempo em que garanta seu retorno financeiro, “porque nin­guém vive só de satisfação pessoal e profissio­nal” afirma ele.

BATE PAPO

[ARV] Como vocês encaram esse dilema que é fazer o que gosta sendo o próprio chefe?
Ser o dono do próprio negócio não é tão fá­cil quanto possa parecer. Quando as coisas vão bem, é só alegria, mas quando os problemas aparecem (e sempre aparecem; e são muitos, por sinal!), aí que o bicho pega.

E nessa hora que você tem que mostrar que é bom, porque tem que ter jogo de cintura pra resolver os pepinos e, ao mesmo tempo, cuidar para que as coisas que vão bem continuem do mesmo jeito.

[ARV] A questão financeira e as dificuldades de se manter no mercado?
No começo é bem difícil. Você tem que inves­tir todas economias que tem e que não tem; fa­zer empréstimo para comprar os equipamentos, que são muito caros, etc. Várias vezes você acha que não vai dar certo, que vai ter que fechar a empresa antes mesmo de começar a trabalhar. Mas se a persistência é grande e o trabalho é bem feito, logo isso passa e você começa a co­lher os frutos. Nossa empresa está há apenas um ano no mercado de produção de vídeo (por sinal, não fizemos uma comemoração.. acabei de me ligar que já temos um ano!) e felizmente os clien­tes já reconheceram nosso trabalho. Lembro que no início ficávamos dias e dias sem nenhum trabalho, torcendo pro telefone tocar, produzin­do algumas coisas de graça para amigos pra não ficarmos parados. Era um tanto quanto preocu­pante, mas felizmente essa fase já passou.

[ARV] A região do vale do paraíba é um bom mercado para o caminho audiovisual?
O mercado de produção audiovisual é um tanto complicado aqui na região. Temos ótimas produtoras no Vale do Paraíba, principalmente em São José dos Campos, onde algumas empre­sas já fazem um trabalho diferenciado, de nível nacional. Mas em Taubaté o mercado é fraco. Isso porque a maioria dos clientes ainda não as­similou o que é um bom trabalho de produção de vídeo. O que mais acontece é um caso clás­sico dessa área, em que o cliente te liga e fala: “ahh, só quero um videozinho, é facinho, rapidi­nho de fazer...”. E não é bem por aí. Produzir um trabalho audiovisual decente é complexo, por mais simples que seja. E tentamos passar isso para nossos clientes: que não existe um bom fil­me que seja fácil de fazer. Se o filme é bom, algo nele foi difícil de fazer, seja a produção, a edição, ou até mesmo a ideia. Alguns clientes assimi­lam isso fácil, mas a maioria não. E aí que mora o maior problema, pois quando não assimilam, não querem pagar um preço justo pelo trabalho.

Mas essa dificuldade que no início parecia o fim do mundo, acabou sendo boa para o cresci­mento da Balaio Filmes, porque nos fez buscar outros caminhos, nos fez ver que existe um mer­cado amplo fora daqui, mesmo pra uma produto­ra relativamente pequena, como é o nosso caso. Claro que hoje a maioria dos nossos clientes é daqui; e não queremos deixar de atuar aqui, pois sentimos que há um crescente mercado carente de boas produções. Mas ao mesmo tempo per­cebemos que não precisamos ficar restritos. Por isso decidimos ir atrás de novos clientes. Ainda é cedo pra falar se isso vai dar certo, mas já conse­guimos bons trabalhos por conta dessa iniciativa. Hoje, por exemplo, somos fornecedores de uma grande empresa multinacional com base em São Paulo. Também já começamos a produzir um fil­me institucional para uma das maiores redes de concessionárias de caminhões do Brasil; e esta­mos com um excelente cliente no Rio de Janeiro, já para produzir alguns trabalhos ainda esse ano. Tudo fruto de muito trabalho e um pouco de vi­são de mercado.

SAIBA MAIS

A balaio Filmes vem com tudo. Em setem­bro a produtora está de mudança para um novo endereço, e terão novos profissionais pegando duro no batente para dar conta do volume de trabalho.

Além de novos trabalhos que já então na boca do forno como um Short Movie de moda. Depois de muitos trabalhos com a qualidade e bom gosto dessa turma é possível dizer que esse balaio de ideias vai longe. Conheça o trabalho da Balaio Filmes através do site www.balaiofilmes.com.br.

Por Emilio Millo

domingo, 18 de setembro de 2011


Chá da tarde com Carla Caffé
Com seu olhar sereno e um sorriso cativante, a arquiteta Carla Caffé recebeu o ar.v Studio em seu ateliê em São Paulo para um bate-papo, apresentando sua linha de trabalho e sua percepção sobre a cidade.
 
Formada em Arquitetura pela FAU-USP, Carla Caffé, 46, trabalha com ilustração, editoração, direção de arte em televisão, teatro e cinema. Editou a coluna semanal “Cidade nua”, no jornal Folha de São Paulo durante quarto anos.

Seu mais novo trabalho, o projeto A[E]REA Paulista é uma continuidade do trabalho realizado no livro Av. Paulista (Coleção Ópera Urbana, editora Cosac Naify e SESC edições, 2009), onde a criatividade explora um discurso sobre a cidade de maneira inovadora e artística.

O despertar do espaço público e a metodologia de observar e registrar uma vivência de desenhar na própria rua, um lugar de todos, trazendo mais emoção em cada traço da perspectiva dos edifícios urbanos, destacando a importância de desenhar a nossa cidade, colocando-a no mapa e tendo o desenho como forma de conhecimento numa mistura do real e da utopia. Em uma paisagem construída através de cálculos poéticos-mentais sobre a topografia do espigão da Av. Paulista, brincando com a percepção da cidade. O conjunto exercita a memória e fortalece a identidade da capital paulista.

Sua formação acadêmica permitiu liberdade artística e lhe abasteceu de conceitos que aprimora e aplica em todas as áreas as quais se dedica. A arquitetura é um conhecimento muito amplo que mexe com o universo de arte e tecnologia, diz Carla.

“Estamos diante da geração mais bem preparada do ponto de vista de habilidades, capaz de usar ferramentas adequadas para facilitar a expressão da criatividade de maneira rápida e didática. Por um lado, a produção artística setoriza, instrumentaliza e individualiza o trabalho, que antes era de um grupo, nas mãos de um profissional. Por outro lado, a tecnologia democrática, pois todos podem hoje em dia com uma câmera produzir um curta, ou mesmo um longa, e publicar na internet.”

O universo virtual, as informações e construções são crescentes. Esta é uma questão que afeta os novos tempos. E o amanhã? Já notou que não se anda na cidade? Quem diria que a gastronomia teria todo o requinte e sofisticação de hoje? Antigamente não se pensava assim. A culinária era trabalho das vovós – a atmosfera do colo, do conforto, do quentinho. Seria um resgate do passado de uma maneira inovadora e atual?



A sociedade muda constantemente. Perdem-se as essências, ganham-se outras e os valores mudam. Não cabe a nós deduzirmos o futuro, porém se hoje o mundo está cada vez mais virtual, se houver, qual será o resgate do passado? A arte de encontros e desencontros? Quem sabe a mentalidade de pensar no espaço público e na relação do entorno se torne uma preocupação e um dever de todos. Porque não, nós não queremos nos alimentar de pílulas.

Por Sophia Skipka

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

 Nóis qui faz
Fazendo da arte uma visão para todos.
 
Uma união de quatro cabeças [Valdir Rodrigo, Renato Sefo, Gustavo Vieira e Atila Santos] leva a arte do meio urbano ao público em geral, para não ter que ficar esperando o público ir até a arte.

A intenção do projeto Nóis qui faz é dar a novos artistas a possibilidade de sair de seus ateliês e realmente mostrar a arte diretamente na rua. O quarteto Nóis qui faz surgiu de um encontro sem pretensão em um bar em 2010, onde uma tela foi pintada em quatro mãos em meio ao público do local. O primeiro trabalho sério desse grupo em um muro de 35 metros, durante duas semanas de sol e chuva e intensas pinceladas. As principais influências e características desenvolvidas pelo grupo vêm desde a arte primitiva até o pop vanguardista.
Hoje em dia, a grande dificuldade enfrentada por eles são os compromissos individuais, que, por muitas vezes, põem seus trabalhos de lado por falta de tempo para produzir. Além da questão financeira, que ainda é um grande empecilho para a exposição de suas telas. Segundo o grupo, a arte em Taubaté ainda está formatada e muito segmentada pelo fato de muitos artistas estarem escondidos em seus ateliês, e não nas ruas, onde o olhar de quem passa pode contemplar a arte.

Perguntamos para o grupo Nóis qui faz quais seriam os caminhos para uma sociedade mais crítica, vista de fora desse trabalho de intervenção por meio da arte, e a resposta foi unânime: “Seria a mudança das políticas pública, que possam investir em cultura, envolvendo um trabalho mais crítico de poder questionar e buscar o lado da paz, que não possa prejudicar ninguém”, afirma o grupo.

 
Para que esse trabalho seja visto, o grupo Nós qui faz se denomina como arte urbana, sempre ousando com a criatividade de produzir e refletir suas manifestações artísticas em meio ao pequeno caos urbano caipira que ainda é Taubaté.

Por Emilio Millo

quarta-feira, 14 de setembro de 2011


Ferreira Gullar, o último dos grandes
O poeta abriu sua casa para uma conversa sobre sua vida e seu trabalho.
Os artistas plásticos que se cuidem.


Sobre Ferreira Gullar, Vinicius de Moraes disse um dia que se tratava do “último grande poeta brasileiro”. Se, na época, ele não era exatamente o último, hoje não são poucos os que o consideram o maior poeta vivo do país. O maranhense, com sessenta anos de carreira sólida, atravessou ativamente todos os episódios importantes da moderna poesia brasileira. Aos oitenta anos de idade, José Ribamar Ferreira (o Gullar foi uma adaptação do Goulart, de sua mãe) leva uma vida ativa, mas escreve cada vez menos. Faz ginástica e acompanha esportes pela TV. Não tem lido nada novo e diz que a literatura contemporânea não prende sua atenção. “Eu confesso que eu mais releio do que leio. E releio menos do que relia”.

Gullar também é dramaturgo, crítico de arte e ficcionista. Recentemente, a editora José Olympio publicou sua obra completa. Juntas, suas poesias não somam 600 páginas, o que daria dez páginas de produção anual. O poeta se justifica: “Sempre escrevi pouco. Eu não fico forçando a barra, só faço quando é necessário. Não vou fazer poesia ruim como alguns poetas que envelheceram fizeram. Por mim tanto faz, se eu parar de escrever, eu parei, ué. Escrever uma coisa de qualidade inferior só pra dizer que eu continuo escrevendo, não. Meu último poema do meu último livro [Abduzido, de “Em alguma parte alguma”] foi escrito em novembro de 2009. Nunca mais escrevi nada. A minha poesia nasce do espanto, da descoberta, de algo inesperado. Mas depois nada me espantou mais, naturalmente”.

Existe uma certa contradição nos ofícios de Ferreira Gullar. Poeticamente, ele sempre buscou a inovação. Basta imaginar que seu primeiro livro, “Um pouco acima do chão”, hoje renegado pelo poeta, foi feito em versos alexandrinos, com fortíssimo sotaque parnasiano. “Eu chegava a falar em decassílabo”, diz. Depois, com a leitura de poetas modernistas, descobriu o verso livre, sem métrica nenhuma, e entendeu que precisava recomeçar. “Eu tinha realizado uma série de experiências artísticas. Ajudei a criar a poesia concreta, aí rompi com o movimento e o nosso grupo criou o movimento neoconcreto, aí eu fiz poemas espacias, fiz uma porção de coisas que se esgotaram. Chegou num ponto que eu perdi o interesse de continuar fazendo aquilo. Não é que eu reprovasse o que eu fiz, mas não tinha mais vontade de continuar”. Por outro lado, como crítico de arte, Ferreira desaprova muitas vanguardas da atualidade. “Veja bem, sem ter a intenção de negar o que eles fazem, eu só digo que aquilo não é arte. É expressão, mas não é arte. Artes plásticas é uma coisa que, das cavernas até o começo do século vinte, era uma coisa com características definidas. Tanto uma escultura grega do século 4 a.C. quanto um quadro cubista tinham, entre todas as diferenças, características  comuns. Agora, você pega e bota larva de mosca exposta, não tem nada que ver com isso. Pode ser o que for, mas não tem linguagem”.

Ainda a respeito das artes plásticas, Gullar diz que muita coisa boa continua sendo produzida, mas segue espinafrando as vanguardas: “Eles seguem, na verdade, a expressão de Marcel Duchamp que diz ‘tudo que eu disser que é arte, é arte’. Começou lá com o urinol. Então, o que isso significa? Que não é preciso saber fazer, que não é preciso ter características estéticas. Arte implica em saber fazer, em dominar linguagem e inventar significados”. Serve como base de seus argumentos uma exposição recente na Casa França-Brasil, em que lençóis usados por hospitais e motéis do Rio de Janeiro eram pendurados em telas: “Aí tem um texto dizendo ‘o artista distribuiu e depois recolheu esses lençóis’. E daí? E isso é arte? “A noite estrelada” de Van Gogh, você não precisa saber de nada. Você ouve a 5ª de Beethoven, você precisa saber de alguma coisa? Tem que ter um texto do lado do disco do Villa-Lobos?”

Mas ele reconhece que a vanguarda não é negativa. Ela amplia os horizontes, assimila coisas novas e enriquece a produção artística posterior. Mas o único campo em que isso persiste é nas artes plásticas, diz. Para ele, uma possível explicação é que está na moda ser rebelde: “Por que o MoMa [Museum of Modern art] expõe uma série de casais nus? ‘Pra constranger as pessoas’, eles dizem. E a finalidade da arte é essa? Nu, no museu, eu prefiro Davi do Michelangelo, que não me constrange, que me vislumbra. O MoMa é instituição, recebe seu dinheiro, mas ao mesmo tempo ele quer ser rebelde. Instituição e rebelde são duas coisas que não combinam. Se tá instituído, não é rebelde, nego! O museu, então, virou o único lugar onde a não-arte vira a arte”.

Questionado sobre um balanço de sua vida, Ferreira Gullar não pesa nada: “A minha vida é um improviso. Eu não planejo nada. O acaso é um fator decisivo na criação, e na vida. Eu costumo dizer que a relação é acaso-necessidade. Quando você começa a escrever, você tem uma página em branco. Você não sabe o que você vai escrever. Você só tem uma vontade de fazer. Com a página em branco, tudo é possível, a probabilidade é infinita.

Quando você escreve a primeira palavra, você reduz a probabilidade. Ela começa a definir algo, e o acaso é menor. Então a segunda palavra é determinada pela primeira. E aquilo que não era nada começa a nascer e a se tornar necessário à medida em que você vai fazendo. É assim que as coisas são feitas. A vida é inventada, a literatura é inventada, nada é fatal, determinado. Não tem ninguém que tá dirigindo nada, nem destino predeterminando”. E acrescenta: “Nós fazemos a vida dentro das nossas limitações e possibilidades, não é?” Em seguida, diante de seu entrevistador perplexo, o poeta dá o ponto final da conversa com uma risada de quem entende das coisas: “Já tá bom pra você?”.

Por Guilherme Tauil

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Lineu Bravo, o luthier que faz violão de ouvido
Chico Buarque, Guinga, Ana Carolina, Elba Ramalho, Yamandu Costa e Hamilton de Holanda têm mais em comum do que o fato de serem músicos: todos eles possuem um violão de Lineu Bravo, luthier de Sorocaba que vive há mais de três anos em Taubaté.
 
Filho de marceneiro, Lineu Bravo desde criança brincava com as sobras do trabalho do pai. Fazia raquete de ping-pong, caixinhas, tabuleiro de damas. Ainda na infância, Lineu conheceu a outra metade de sua profissão: a música. Seu pai tocava cavaquinho, o que acabou influenciando o filho. Sem dinheiro para comprar um bom instrumento, Lineu mexia nos próprios, fazia modificações, trocava peças. Seu primeiro instrumento foi feito aos catorze anos, mas a luteria era, apenas um hobbie.

Somente aos trinta e seis anos de idade é que Lineu decidiu viver exclusivamente da construção de instrumentos de corda. Em 2001, numa roda de choro, um amigo lhe emprestou um violão, sem imaginar que proporção aquilo iria tomar. Fascinado pelo instrumento, Lineu começou a estudá-lo e acabou fazendo, mais tarde, seu primeiro violão. Tinha início uma carreira que ainda parece estar longe do fim.

O deslanche da carreira do luthier começou um pouco por acaso. Através de Zé Barbeiro, com quem chegou a montar um trio de choro, Lineu conheceu Alessandro Penezzi, que encomendou um violão. Tempo depois, Belo Horizonte foi palco do evento Violões do Brasil, que reuniu a nata da música instrumental em uma apresentação. Antes do show, por acaso, Lineu foi visitar Penezzi e Zé Barbeiro no hotel em que estavam hospedados. De brinde, acabou conhecendo o catálogo inteiro do violão brasileiro: Guinga, Maurício Carrilho, Lula Galvão, Toninho Horta, João Lyra, Paulo Bellinati e outros músicos, também ali hospedados. Aprovado por unanimidade, Lineu saiu de lá com uma porção de encomendas.

 
Daí a informação correu e, de violão em violão, formou-se a clientela de Lineu Bravo. Como aconteceu com o jovem violonista Marcus Tardelli, por exemplo. Tardelli estava para começar as gravações de seu disco, o “Unha & Carne”, quando Guinga lhe mostrou um violão de Lineu. Resultado: onze das catorze faixas foram gravadas com ele. As outras três ficaram a cargo de um violão espanhol, com o qual Tardelli vinha se familiarizando há mais de vinte dias especialmente para a gravação do disco.

Lineu trabalha sozinho, em silêncio, sem música de fundo. Faz, em média, trinta instrumentos por ano. Leva uns sessenta dias para terminar um violão, mas despacha dois por mês. Isso porque trabalha em mais de um ao mesmo tempo, em estágios diferentes de construção. Não faz nada em série, não tem estoque – é tudo sob encomenda. Pode ser visto andando pelas ruas da cidade ou tomando um café nos intervalos de seu trabalho. Mas se você quiser ouvi-lo basta procurar um disco do Guinga ou um clipe do Chico Buarque – porque quem realmente entende, garante que o produto é bom.

Por Guilherme Tauil