sexta-feira, 22 de julho de 2011

Inspirado por churrascos, Seu Jorge lança disco "para ouvir lavando carro"
Em entrevista, ele comenta criação de personagens de seu novo CD. "Pode grelhar o que quiser. Churrasco é comer, beber e cantar", diz cantor.


Para a maioria, churrascos nada mais são do que litros de cerveja somados a quilos de carne na brasa. “As manifestações são diferentes”, corrige Seu Jorge, que lança “Músicas para churrasco – Volume 1”, no qual canta personagens como “A doida”, “Vizinha”, "Meu parceiro" e “Japonesa”.

Ele ainda não definiu quantos volumes vai lançar, mas parece ter muito carvão para queimar. “Depende da evolução das personagens e dos ambientes que elas frequentam”, contextualiza em entrevista por telefone ao G1. “Estudo a ideia de mostrar o churrasco como um evento. São diferentes os churrascos que podem surgir: churrasco só de carne, churrasco que tem maionese, arroz. Há uma série de coisas, que eu e o núcleo que compõe as músicas estamos estudando.”

Jorge costuma dizer que suas músicas são "classe média alta". Mas esclarece que a expressão, importada do vocabulário dos pernambucanos da banda Nação Zumbi, não coincide com a classe social que consome suas iguarias.

"É um disco muito popular. Sinto uma adesão das pessoas, uma vontade de se divertir com as personagens em festas informais. É para ouvir lavando carro ou ir à padaria escutando no iPod”, prescreve.

A patota de Jorge é formada por Gabriel Moura, Pretinho da Serrinha e Rogê, parceiros de composição e músicos do CD. Juntos, pretendem criar “uma dramaturgia com músicas animadas e divertidas”. “Vamos acabar investigando várias sonoridades. Quero fazer com que a música seja oficialmente negra, black. A coisa suburbana que não é só o samba. Escutamos Ray Charles, Nat King Cole. Quero trazer a influência dessa música lá de trás até hoje.“

Para fazer um disco ou para preparar uma carne, ensina o cantor, o princípio é o mesmo. “Só tem animação quando há um coletivo bom. Tem que ter uma turma animada, com disposição. Tem que agitar as coisas: um pega a carne, outro acende, um fica tomando conta da carne pra ver se vai queimar, outro escolhe as músicas. Pode ter legume, fruta. Pode grelhar o que você quiser. Churrasco não é só carne. É comer, beber e cantar.”

O cantor carioca passou muito tempo fora do Brasil na década passada (entre filmes e shows), mas garante que sempre foi celebrado por aqui, só não teve “tempo para desfrutar disso”. “Eu percebo que a imprensa agora não tem mais como fingir que eu não existo”, provoca. “Meu público cresceu no Brasil. Agora, as pessoas querem saber dos meus trabalhos antigos e conhecer meu histórico. Eles têm mais consciência do meu investimento fora do Brasil.”

quarta-feira, 20 de julho de 2011


MISTURA FINA, COCADA BOA
Vídeo-entrevistas exclusivas e eventos locais relacionados ao impacto da tecnologia na música, arte, cinema e design.

São Paulo recebe nos dias 29, 30 e 31 de julho no Pavilhão da Bienal em São Paulo, The Creators Project: São Paulo 2011. O evento traz música, obras interativas, filmes, palestras e painéis inovadores, além dos shows Atlas Sound, Chairlift, Dj set dos novos criadores Database do novo álbum do Emicida (produzido em parceria com K-Salaam & Beatnick).

The Creators Project ainda contam com a colaboração dos artistas Quayola, Rejane Cantoni e Leonardo Crescenti, e Muti Randolph para exibir instalações, bem como o novo projeto de David Bowie, Mick Rock e Barney Clay, a instalação Life on Mars Revisited, que acabaram de lançar no evento de Paris mês passado. O United Visual Artists trará a terceira interação da estrutura de cubos maciços que criaram inicialmente para o palco principal do Coachella, que já havia sido reconfigurada antes para o festival Nuits sonores em Lyon.

Além disso, apresentarão o filme Scenes from the Suburbs de Spike Jonze e Arcade Fire, e hospedar um painel de discussão com o cineasta brasileiro Cisma no sábado. K-Salaam & Beatnick falarão sobre o futuro da produção no domingo.

Confira no site maiores informações: http://www.thecreatorsproject.com/pt-br/

terça-feira, 19 de julho de 2011


NOSSA ERA DIGITAL
A 12ª edição do FILE – Festival Internacional de Linguagem Eletrônica começa hoje em São Paulo e conta com diversos atributos e novidades digitais.

Acontece em São Paulo de 19 de julho à 21 de agosto no Centro Cultural FIESP Ruth Cardoso o Festival Internacional de Linguagem Eletrônica. O programa conta com instalações interativas e imersivas, tablets, animações, jogos e maquinemas, além de trabalhos de arte web, vídeos, documentários, clipes musicais e experimentações exclusivamente sonoras.

Na primeira semana haverá apresentações de performances (Hipersônica) no Teatro do Centro Cultural a partir das 20h. O FILE 2011 também ocupa a Galeria de Arte do SESI, o foyer e o Espaço FIESP.

O FILE PAI - Paulista Avenida Interativa exibirá diferentes trabalhos com ferramentas digitais e eletrônicas em diferentes espaços internos e externos da Avenida Paulista e sua região.

O FILE 2011, de 19 à 22 de julho também apresenta as séries de encontros do FILE Symposium, no Centro Cultural São Paulo. As vagas para participar dos encontros são limitadas por ordem de chegada, portanto aconselha-se chegar 30 minutos antes de cada palestra.

O acesso as atividades é gratuito.

A Criatividade em forma Contínua
Carla Caffé, seu olhar e traços sobre a mais conhecida avenida de São Paulo.

A arquiteta e diretora de arte nas áreas de televisão, teatro, publicidade, eventos e cinema lançou seu novo trabalho, o projeto A(E)REA PAULISTA, extraído do livro Av. Paulista (COSAC NAIFY e SESC Edições, lançado em 2009).

A obra é uma paisagem construída através de cálculos poéticos-mentais sobre a Av. Paulista. Desenhos dos seus principais edifícios e cores, muitas cores para evocar a topografia da região de maneira estilizada. A imaginação caminhou mais algumas ruas centrais da cidade, como a Av. São João e a Av. Radial Leste, e os bairros da Liberdade, Bela Vista e Higienópolis.

O conjunto da mostra tem seu formato em sanfona. Carla conta que "as dobras estimulam novas visões da imagem, que é composta pelas dobras do próprio espigão da Av. Paulista. É uma mostra que brinca com os limites do digital e do analógico, do editorial (com o livro) e da arte (com a gravura)".

Contudo, a obra também exercita a memória urbana e fortalece a identidade da cidade.

domingo, 17 de julho de 2011



Começa pré-venda de ingressos para dia extra do Rock in Rio
Privilégio é apenas para clientes portadores de cartões de crédito Itaú.
Para o público geral, entradas estarão disponíveis a partir do próximo dia 23
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Começou no primeiro minuto deste sábado (16) a pré-venda de ingressos para o dia extra do Rock in Rio 2011. Neste primeiro momento, os ingressos estarão disponíveis apenas para clientes portadores dos cartões de crédito Itaú (Itaú Personnalité, Itaú Uniclass e Itaucard) e só poderão ser adquiridos pelo site www.itaucard.com.br/rockinrio. O benefício não é válido para cartões de débito.

Os clientes Itáu terão direito ainda a 15% de desconto no valor do ingresso e poderão parcelar em até seis vezes sem juros. Os preços permanecem os mesmos: R$ 190 (inteira) e R$ 95 (meia-entrada).

Cada CPF está limitado a compra de quatro ingressos, sendo no máximo um deles, meia-entrada. Não haverá cobrança de taxa de conveniência e o ingresso vale para todas as atrações da Cidade do Rock.

Já a venda para o público geral terá início à 0h01 do próximo dia 23, somente pelo site oficial do Rock in Rio.  As compras serão feitas apenas por cartão de crédito e poderão ser parceladas em quatro vezes.

O destaque da progamação do Palco Mundo no dia extra será o cantor e compositor Stevie Wonder, que comemora 50 anos de carreira. Além dele, também se apresentarão a americana Janelle Monáe e a banda britânica Jamiroquai. Já o Palco Sunset terá a inglesa Joss Stone.

O Rock in Rio fará ainda uma homenagem ao Legião Urbana. Os ex-integrantes do grupo tocarão com a Orquestra Sinfônica Brasileira.

sábado, 16 de julho de 2011

Barulhento Silêncio 
Coluna Shuffle | www.amusicoteca.com.br

Nos últimos tempos, ando ouvindo muito o silêncio. Há duas semanas, quando caminhava pelo centro da cidade de São Paulo, a cada igreja que via, entrava. Os barulhos da rua e da calçada ficavam atrás das pesadas portas e eu mergulhava naquele silêncio que só as igrejas têm. O eco da ausência de som, que a cada passo se estremece, é encantador. Parece que ali ouvimos tudo o que não queremos ouvir, que deixamos de lado, que preferimos deixar encobertos pelos sons do cotidiano. Mas, ao sair dali, todos os sons que as cidades emitem voltavam, só que, desta vez, diferentes: era como se eles tivessem novas formas.

Há um famoso conceito na arte conhecido como  chiaroscuro, que consiste basicamente no contrate entre o claro e o escuro, luz e sombra. Essa técnica foi usada na pintura renascentista e depois revisitava muitas vezes. O chiaroscuro, porém, não é um conceito que começou na arte. O Yin-Yung (aquela famosa esfera que tem um lado preto e o outro branco) traz essa dualidade em seu próprio símbolo: ambas forças precisam existir para haver o equilíbrio e elas se complementarem. Na música isso não é diferente. “Não existiria som se não houvesse o silêncio”, canta Milton Nascimento em  Certas Coisas, composta por Lulu Santos e Nelson Motta (vale muito a pena ouvir também a própria versão de  Lulu Santos que é muito boa e a maravilhosa versão de  Zélia Duncan e Lenine).

Ao entrar nas igrejas eu estava dando aos meus ouvidos algo que eles raramente têm atualmente: tranquilidade. Somos bombardeados o tempo todo com sons e nos auto-alvejamos com música. Vivemos com esses fones de ouvidos que, literalmente, entram em nosso corpo. Se o tiramos e desligamos o som, temos todos os sons que nos envolvem. Som, som e mais som. Vivemos imersos em um imenso barulho que não tem fim. Raramente nos permitimos o silêncio. Isso tudo nos causa uma náusea acústica.

Ouvimos tantas coisas e por tanto tempo que às vezes esquecemos de prestar atenção em pequenos detalhes das canções. A música e todos os sons que nos rodeiam passaram a ter o mísero papel de trilha sonora. É como se tivéssemos em um filme, em que a música é apenas plano de fundo. Estamos pouco nos importando com a letra ou com as melodias. O recado que a canções querem passar, passam desapercebidos. Ao ouvir o silêncio, o contraste nos traz esses sons desprezados. Será que não está na hora de ouvirmos mais o silêncio? Talvez estejamos deixando passar desapercebidas incríveis obras de arte pelos nossos ouvidos.